Desenho para elevar uma distorção da mente...
Ou distorcer uma mente elevada...
Desenho pra animar... E pra esquecer...
Desenho pra mim e sem mim!
As Obras de um Taciturno Sonhador
Desenho para elevar uma distorção da mente...
Ou distorcer uma mente elevada...
Desenho pra animar... E pra esquecer...
Desenho pra mim e sem mim!
MAGA
Eu era demasiado assim,
perdido na bruma do luar,
taciturno nômade sem mim,
que não esperava esse amor encontrar...
Um meigo olhar me marcou,
Esbelto corpo que me aquece...
Um singelo sorriso me alegrou,
Bela alma que a paz floresce...
O que fizestes comigo?
Doce Maga que me encanta!
Puro amor de feitiço antigo,
que toda dor de mim espanta!
Amo-te nesse caminho que trilho,
de guerra, paz, risada e sorte!
Amo-te por teu carinho e brilho,
que me faz viver até depois da morte!
Perco-me todo dia,
para encontrar-me toda noite...
És fantasia de estrela guia,
para esse coração afoite...
O amanhã eu desconheço,
mas nele você precisa estar.
Se é um sonho, que seja apenas o começo...
Para sempre poder a ti amar!
TEMPESTADE
A única certeza
de um amanhã incerto
é que ele virá...
Mas também passará.
Quando o peso do mundo
se torna insustentável
é a leveza da alma
que nos sustenta.
Você grita, agita e briga!
Corre sem olhar para trás!
Sem admitir que o passado
está à sua frente.
Como um animal faminto
pronto para te devorar.
Um animal perdido na memória,
mas encontrado no medo.
Haja ânimo! Não devemos temer!
Pois tudo Deus renova!
Encontre-se dentro de si mesmo...
Com o amor de outrora.
Lembre de quando a lua
ainda brilhava no céu noturno.
Lembre do farfalhar das folhas
ao calor do sol poente.
Às vezes, quando a tempestade chega
não há muito o que fazer...
Sente, descanse e ouça
o som das gotas até que ela passe.
LUTO E LUTO
Eu luto...
Luto por aqueles
que viajam na maionese!
E por aqueles que querem
viver no mundo da lua!
Luto com os moinhos de vento!
E luto contra o sono!
Saio da tempestade em copo d'água e já dou um braço para o João.
Haja santa paciência no meu pavio curto!
Piso na bola com minha perna de pau!
Pago pra ver minha mão no fogo!
Engulo um sapo e pago o mico!
E luto!
Luto por quem toca o barco e pilota o fogão!
Luto de foice no escuro ou como cego em tiroteio!
Mas luto!
Luto com o português para pôr os pingos nos is!
Vivo lutando...
Não só luto... Mas vivo de luto...
Por todos os sinos que dobram daqueles que não deram a volta por cima.
Talvez eu lute tanto para não parar e pensar:
"A troco do quê?"
Às vezes, apesar das lutas,
não acredito nos próprios olhos...
Às vezes, é melhor
só virar a página...
(Poema em tributo ao poeta e amigo Barata Cichetto, falecido em janeiro de 2026)
O DIA MAIS LINDO DA MINHA VIDA
Uma nervosa coelhinha,
que ao meu coração conquistou.
Ao meu lado, torce e caminha,
em alegria que nunca faltou.
Evangelizando te conheci,
para a glória do Senhor Jesus,
Tamanha dádiva não mereci,
singela alma de eterna luz.
Em meio a noites de xadrez,
a coelhinha virou freguês.
Mesmo assim, um amor nasceu,
pois meu coração já era seu.
Altas dificuldades no decorrer do ano,
que vontade enorme de virar texano.
Me perdia sempre no redemoinho,
mas tudo se curava com um beijinho.
Minha doce e amada Daniela,
mulher guerreira e bela donzela,
sou um homem de muita muita sorte,
pois no dia de hoje, você se torna minha consorte.
SEGUNDO
Quando começa a corrida sem fim?
Proverbial e derradeira,
sem eira nem beira,
de um tolo arlequim?
Aquele indizível sentimento,
de estar um segundo atrasado.
Só, desregulado...
Quase lá, mas sempre aqui.
Conselho que não veio,
Atitude que não prestou...
Pobre ser em devaneio,
Que a si próprio enganou...
Corrida que a vaidade te ultrapassa,
Que a mentira enriquece,
Que o suor fracassa,
E a solene honra empalidece.
Aprendeu quase tudo,
mas por ventura esqueceu,
Que é o nada que importa,
Nesse belo mundo fariseu.
Será que deveria ser diferente?
E desse labirinto escapar...
Olhar pra cima, e finalmente,
Poder viver e amar...
Mãe da Vaidade,
Pai do Esquecimento,
Um segundo de atraso,
uma vida em segundo...
Encontro
Eu tive um encontro com Jesus...
Ele tinha corpo,
mas não tinha um rosto...
No lugar do rosto,
havia luz apenas.
Me ajoelhei aos prantos,
beije-lhe as chagas dos pés...
Ele estendeu a mão
para me ajudar a levantar.
O fiz.
Andamos, mãos dadas,
em direção à um enorme
feixe de luz.
Olhei para seu pulso
e vi as chagas
onde ele havia sido
pregado na cruz...
Falei que era pecador
e que não merecia
que ele tivesse pago
aquele preço por mim.
Ele respondeu:
"Valeu cada centavo, irmão."
Cai aos prantos,
Jesus se ajoelhou e me abraçou.
Levantamos, andamos e adentramos no
feixe de luz...
Hoje e por toda a eternidade.
O Rubro Amor
Nessa bruma sem fim,
uma voz distante se ouve...
Que conclama, e ama,
uma verdade esquecida...
Com entremeios de ardor carmesim,
se forma minha virtude além...
Para buscar a certeza merecida
de um amor alquebrado...
Clama, ó adorada alma!
Pelo vislumbre feérico
do amor rubro
que no mais ermo recanto
de meu coração
se criou...
ETERNAMENTE
Meu amor
por ti nunca se findará...
Desperto com teu
singelo sorriso...
Durmo com teu
inebriante perfume...
Vivo com sua suave voz
em pensamento...
Quando sinto-me
fraco, você sempre
me levanta...
Minha força
secreta
para nunca
desistir...
Minha luz
eterna
que me
enche de
esperança e amor...
Um encanto perene
que me faz voar
sobre esse caminho
de lutas sem fim...
Um encanto eterno
que me resgata
do mais profundo
abismo...
Seu amor feérico
preenche as lacunas
desse coração alquebrado...
Seu amor eviterno
cura a tristeza
dessa mente cansada...
Seu amor infinito
restaura a força
de minha alma taciturna...
De seu toque, nunca quero esquecer...
Seu beijo, pretendo jamais perder...
De seu amor, nunca desejo me separar...
Por tudo que é
mais sagrado,
nosso amor há
de viver eternamente...
Eu te prometo.
O Vaso do Oleiro
Um vaso
esquecido,
naquele canto
sem encanto,
com o tempo
foi partido.
Sempre moldado
pelo ser divino,
nobre e inspirado.
Velho menino
de rosto inventado
num mundo
rico, mas atrasado.
Vaso sem fundo,
hoje perdido,
ontem sem sentido,
amanhã renascido.
Ressurja
tenro e melhor,
nas mãos do mestre oleiro...
Imagine-se
uno e maior,
sendo um eterno cordeiro...
Até uma vez mais crescer,
nesse sem fim do viver.
Vaso que floresce,
aquiesce,
clamando por alguém,
vaso que chora,
adora,
navegando nos confins além...
PENSAMENTO?
Um
pensamento
bem pensado
se cria
na imensa
prensa
do pensar...
Do
viver, lembrar...
Um
dia no mar,
uma noite no calar,
sem medo de correr,
arriscar...
De
viver, chorar...
Um
pensamento
que cresce, emudece,
sem ser,
bastante querer...
De viver, chover...
Do
frio do pensar,
calor do brilhar,
que molha,
que mostra no escuro
o jeito de adorar...
De
viver, amar...
Preciso
aprender
a me entender...
Nessa confusão que
criei.
Do dédalo sem fim que
moldei.
Construí um labirinto
para prender meus
medos,
Mas acabei
trancafiando meus
amores...
Aprender
a me preocupar menos
e a confiar mais.
Aprender
a chorar menos
e a sorrir mais.
Aprender
a
esquecer.
Aprender
a
viver.