SEGUNDO
Quando começa a corrida sem fim?
Proverbial e derradeira,
sem eira nem beira,
de um tolo arlequim?
Aquele indizível sentimento,
de estar um segundo atrasado.
Só, desregulado...
Quase lá, mas sempre aqui.
Conselho que não veio,
Atitude que não prestou...
Pobre ser em devaneio,
Que a si próprio enganou...
Corrida que a vaidade te ultrapassa,
Que a mentira enriquece,
Que o suor fracassa,
E a solene honra empalidece.
Aprendeu quase tudo,
mas por ventura esqueceu,
Que é o nada que importa,
Nesse belo mundo fariseu.
Será que deveria ser diferente?
E desse labirinto escapar...
Olhar pra cima, e finalmente,
Poder viver e amar...
Mãe da Vaidade,
Pai do Esquecimento,
Um segundo de atraso,
uma vida em segundo...
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