Análise da expansão do conhecimento
científico nos países nórdicos durante o período
Viking
Introdução
Esse trabalho consiste na análise minuciosa
de determinados fatos, que por sua vez, foram os responsáveis pela diminuição
da prática dos ritos pagãos e o consequente aumento da investigação, observância
e relatos dos fatos científicos no mundo germânico, em especial na Escandinávia
.
Não obstante, farei o possível para descrever
a sociedade viking e sua relação com os Mitos (Conhecimento Mitológico) e a
religião (Conhecimento religioso). Manterei o foco em uma dissertação simples e
objetiva, acrescentando detalhes de suma importância para a correta compreensão
dos costumes nórdicos.
1.
Por que os Vikings?
Creio que tal pergunta já deve ter passado
pela mente de quem estiver lendo este texto. A reposta é consideravelmente
simples: A sociedade viking era extremamente bem dividida para a época. Cada
indivíduo desempenhava uma função elementar para o aprimoramento das tribos
nórdicas. A religião, como instituição,
desempenhava papel chave na vida e cultura viking, sendo a suposta guia para as
outras instituições, estas, por mérito, também possuíam dada autonomia.
2.
Contexto Histórico
A Europa começava a se recuperar das ondas de
invasões bárbaras do século V. Laboriosamente, uma estrutura social começava a
desenvolver-se mais coerentemente. Esta foi a chamada época dos mosteiros.
Centenas deles foram construídos por toda Europa, graças a expansão da fé
cristã. Todavia, tal paz durou apenas 300 anos.
Nordeste da Inglaterra, costa da Nortúmbria.
Ano de 793. Ali, na ilha de Lindisfare, vivia uma comunidade de monges há mais
de 150 anos em um mosteiro chamado São Cuthbert. Não havia defesas. Os monges
viviam apenas para traduzir textos e para aprimorarem seu conhecimento
filosófico religioso. A ilha era considerada sagrada, pois, dela partira o
movimento de cristianização da Inglaterra. Foi nesse santuário que o primeiro
ataque viking ocorreu. Tudo fora queimado. O mosteiro ficou em ruínas.
Do século VII ao século XI, os vikings
tornaram-se a maior potência militar da Europa. Suas relações comerciais
estendiam-se até o Oriente Médio. Somente Carlos Magno conseguiu rebater
modestamente as hordas nórdicas, contudo, após sua morte não houve barreiras
para o avanço viking.
3.
Religião
A
religião nórdica possui sua raiz no paganismo germânico e como já foi
salientado esta mesma religião era a guia para grande parte das atividades
culturais dos vikings. Entretanto, no decorrer do ano, a religião se
manifestava abertamente somente em duas ocasiões: No ritual de agradecimento
aos deuses no Solstício de Inverno e do ritual de agradecimento das pilhagens
no Solstício de Verão. Tais rituais duravam quinze dias cada.
Ela fez-se mais presente na crença individual
de cada membro da sociedade. Existiam dezenas de deuses no panteão nórdico.
Odin, Thor, Freyr, Freya, Týr, Loki e Heimdall são apenas alguns deles. Cada
pessoa se identificava melhor com algum dos referidos deuses. Tal deus e a
mitologia ao redor dele próprio tornavam-se guias filosóficos para a pessoa em
questão. Era difícil ocorrer a mudança de um deus para outro no espiritualidade
das membros das tribos. Por exemplo: Se uma pessoa se identificava melhor com a
atmosfera das guerras, ataques, ações heroicas e afins, provavelmente seu deus
patrono seria Thor, o deus do Trovão. Se outra se identifica-se com a beleza ou
natureza, seu deus patrono com certeza seria Freya (Senhora, em norueguês), a
deusa da beleza e da música. Por fim, se alguém se identifica-se com a
discórdia, maus agouros e a trapaça, provavelmente seu deus patrono seria Loki,
o deus da Trapaça. Cultos e rituais eram comuns no âmbito familiar.
4.
Mitos
Aqui,
meu caro leitor, é onde verdadeiramente é feito o diferencial entre a religião
viking e as demais religiões pagãs. A difusão dos seus mitos era feita pela
oralidade e praticamente todos os contos
envolviam as figuras divinas. Existiram mais mitos na sociedade vikings do que
em qualquer outra sociedade. Isso sem levar em conta as Sagas, que por sua vez,
consistem na compilação de histórias semi fictícias dos grandes feitos dos
jarls (Chefes das tribos) e dos melhores guerreiros nas guerras, comumente
chamados de Berserkers (Pele de Urso), sendo a mais famosa a Saga de Egill
Skallagrímsson. A Saga de Volsung é um dos livros mais importantes de toda
Europa, e foi a base para a criação de estórias clássicas da literatura
universal, como O Anel dos Nibelungos, Brunhilde & Siegfried e até mesmo O
Senhor dos Anéis.
Os mitos existiam, em suma, para explicar
fenômenos desconhecidos pelo homem. Era uma solução simples e rápida para os
problemas naturais. Todos criavam mitos, mas era encargo dos jarls, difundirem
as estórias entre os territórios.
Para exemplificar melhor, contarei uma dessas
estórias.
Os eternos inimigos dos deuses eram os
gigantes de gelo, habitantes de Jotumhein e os maiores inimigos dos homens eram
os goblins (Raça de duendes que habitam as cavernas). O deus Thor era o maior
defensor dos homens contra as maldades dos goblins.
Thor possuía o martelo Mjölnir (Aquele que
trás o trovão, em norueguês), que sempre voltava para as mãos de seu dono, não
importando onde ele tenha sido lançado. Nas tempestades em terra Thor lançava
seu martelo dos céus, que sempre deixa um rastro pelo caminho que percorre. Uma
luz branca. O relâmpago. O objetivo, aniquilar os goblins que possivelmente
estavam tramando algo contra os humanos.
Inúmeros escritores, como Orlando Paes Filho
(Escritor brasileiro renomado internacionalmente por seus livros sobre os
vikings), James Graham-Campbell e Johannes Brondsted, formularam livros
gigantescos apenas sobre os mitos nórdicos.
Ressalto mais uma vez, que os mitos nórdicos
foram criados para dar solução a problemas de natureza diversas, sempre
destacando a presença das deidades, sendo dessa maneira quase impossível de
desassociar o conhecimento mitológico do religioso.
5.
A decadência do mundo Viking
Conflitos
internos entre vikings noruegueses e dinamarqueses, à partir do ano de 1020
D.C., acabaram por enfraquecer toda a estrutura militar e ideológica dos
vikings, que com isso, acabou favorecendo a entrada de novas ideias na
sociedade nórdica. Nesse caso, a fé cristã.
Irônico, não é, meu caro leitor? Os Vikings
que durante 250 anos destruíram todas os templos e mosteiros de toda Europa
Ocidental, estavam agora adentrando a essa fé.
A Islândia foi o primeiro país nórdico a se
converter totalmente ao cristianismo, seguido pela Suécia, Noruega e por fim os
sempre sanguinolentos dinamarqueses.
A título de curiosidade destaco que foi nessa
época que os vikings realizaram as grandes incursões no Oceano Atlântico,
chegando na Groelândia, e na América. O primeiro europeu a chegar em nosso
continente foi Leifr Eiríksson (A serviço de Erik, o Vermelho), e não
Cristóvão Colombo, como sempre nos ensinaram. Bom, mas essa é outra história...
6.
Ascensão do Conhecimento Científico e da Filosofia na Escandinávia
Durante
os próximos séculos houve um exponencial crescimento filosófico na
Escandinávia. Poucas pessoas sabem, mas a Fenoscândia foi o berço de diversos
filósofos e escritores ainda na Idade Média. Isso ocorre pela influência
Anglo-Franco-Germânica, que mantiveram tais escritos em relativa obscuridade,
dispersando primordialmente sua própria produção literária.
Não obstante, uma das ciências que mais se
aprimorou pelos nórdicos foi a astronomia. A região era extremamente favorável
a isso. Como nunca antes fora visto, os nórdicos imergiram na perspectiva do
saber. A relação entre ciência e religião foi conciliada consideravelmente bem
por um motivo bem simples: a Inquisição (Iniciada no século XII na França), não
chegou com força ao Norte, possibilitando o desenvolvimento de certos
conceitos.
A investigação dos fatos e as tentativas para
compreender melhor o mundo, sem dúvida substituíram a concepção mitológica da
existência. Creio que aqui já possamos destacar o termo ATRATIVO como
palavra-chave. O por quê? O ser humano sempre busca o que é mais atrativo para
ele próprio. Nesse caso, a concepção científica fazia mais sentido do que a
mitológica, prevalecendo sobre a mesma. Podemos fazer uma analogia com quase todas as
extintas religiões pagãs no mundo.
Obs.: As Sagas (Estória, em Islandês),
começaram a ser escritas nesse período.
7.
Características do Conhecimento Científico
a. Investigação
b. Dúvida
c. Observação
d. Análise minuciosa
e. Fatos
f. Racionalidade
g. Objetividade
h. Comunicável
i. Preciso
j. Sistemático
8.
Curiosidades
Importantes cidades europeias foram fundadas
belos vikings, dentre elas Dublin, a capital da Irlanda.
Atualmente, quase que estritamente nos países
nórdicos, existem os movimentos chamados neo-völkisch, que propõem a volta
às raízes ideológicas e religiosas das
antigas religiões germânicas, destacando-se o Odinismo (Noruega) e o Wotanismo
(Alemanha).
9.
Conclusão
Nesse
curto trabalho pautei as principais características da sociedade viking e sua
correspondente relação entre os mitos e a religião. Espero ter tido êxito em
demonstrar tal relação. Dezenas de pequenos detalhes precisariam ser
acrescentados para se começar a verdadeiramente analisar a religiosidade
nórdica. Nada foi comentado sobre a crença dos nórdicos em magia, pois, o teor
do trabalho poderia se perder. Esse ponto e muitos talvez possam ser descritos
em futuros projetos.
Concluo tal trabalho salientando a
importância na compreensão das diversas religiões do planeta. O respeito mútuo
entre os seres humanos deve ser exaltado, só assim idealizaremos uma sociedade
mais comprometida com os valores morais, que por sua vez, são intrínsecos ao correto
desenvolvimento das virtudes humanas.