Tártaro

Author: Marino / Marcadores:

Sofro o inconstante
martírio do aterrador abismo.
Sofro o suplício colérico
dos ideais enervantes.
Travo esse desmedido prélio,
longínquo e profundo,
mas ainda assim tão 
tenebrosamente contíguo.
As flamas do carnífice
consomem o ínfimo acalento
dos sentimentos 
que ainda perduram.
O inquietante cingimento 
desse pútrido arcabouço,
leva essa descabida alma
ao limiar do desespero.
Faz-se matéria,
servo das trevas!
Para que podeis levar-te
ao Tártaro que nos
primórdios me brindou!
Essa pérfida angústia,
que nos recônditos mais
profanos do Estige se formou, 
há de se findar.
Estrela Guia, norteie-me aos 
confins desse sórdido mistério e
assole meu insidioso algoz.
Faz fulgir esse 
quebrantado espírito,
para que sob a 
abóbada celeste possa 
finalmente tornar a sorrir.
Assim rogo a ti.

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