Matrimônio: Amor, Desespero ou Conveniência?

Author: Marino / Marcadores:

O amor entre pessoas pobres talvez seja o mais sincero que exista, pois nesse caso, não há nada para se olhar além da própria pessoa. Então quando uma moça pobre se apaixona por um rapaz pobre, pode ter certeza que é amor mesmo. Ele, assim como ela, não possuem nada a oferecer um ao outro a não ser eles mesmos e promessas futuras.

Entenda que estou falando de quando realmente exista amor, e não, por exemplo quando uma mulher pobre casa com um homem pobre pra fugir da casa dela porque seus pais são verdadeiros capetas. Mesmo casando e saindo de casa às pressas para um lugar relativamente ruim, às vezes ainda é melhor do que ter que aturar certas situações familiares. Só que aí é o desespero falando e não o amor.

Outrossim, existem os matrimônios firmados por pressão da família, incentivos e dogmas de igrejas, tesão ou tudo isso misturado numa grande sopa de incertezas e ilusões. Vamos lá... Sabemos que existem pessoas que desejam casar virgens, geralmente por dogmas religiosos, certo? Resultado disso? Quando a pessoa chega aos 20 e poucos anos e ainda é virgem, o tesão e a vontade de fazer um rala-e-rola já está nas alturas. Nisso, acaba casando com qualquer um da igreja (que provavelmente está na mesmíssima situação que ele) só para poder perder o cabaço sem medo de ir pro inferno. Resultado disso? Uma vida longa e feliz (por sorte, pois o amor não era o motivo exclusivo do casamento, se é que ele existia), uma vida longa e triste (Conhece aquela situação em que as pessoas não se suportam, mas continuam casados por causa de religião?), ou é claro, divórcio, prematuro ou não. Eu tenho uma vida social praticamente zero (Serião, eu tenho 31 amigos no Facebook), e ainda assim conheço duas pessoas que passaram por isso, ou seja, casar cedo e imaturo por pressão de família, igreja ou simplesmente tesão (ou tudo junto) e se divorciar 1-2 anos depois, porque percebeu que não era a pessoa certa. E estou falando de adultos com 18 anos ou mais. Agora imagina quando uma das partes, ainda em seus anos púberes, é emancipada para poder casar por mero fanatismo, dos pais e até dele próprio, decorrente de dogmas distorcidos de igrejas. Dureza, né? 

Bom, pode existir amor nesses casos? Podem existir dois nubentes de 16 anos que se casam por amor e apenas amor e vivem felizes o resto da vida? Podem existir duas pessoas virgens com 20 anos loucas para perder a virgindade que se casam apenas por amor e vivem felizes pra sempre? É óbvio que sim. Mas me perdoe se eu duvido disso. Me perdoe se eu acredito que uma pessoa com menos de 18 anos não sabe o que realmente é amor, ou ainda, se uma pessoa virgem com 20 e poucos anos que deseja casar virgem, não vê a hora disso acontecer para poder dar uma bimbada finalmente.

Vamos falar dos amantes e adúlteros. Amantes são pessoas sem vergonha na cara que correm atrás de pessoas que já são casadas, geralmente ricas, ajudando a destruir um casamento no processo. Adúlteros são pessoas igualmente sem vergonha na cara que traem a pessoa que eles juraram, num altar na frente de Deus, amar e proteger. Ambos tem culpa. E é óbvio que o adútero não casou por amor. Se o tivesse feito não praticaria o adultério, pois amor além de ser algo eterno é a forma mais evoluída do respeito. Adúlteros fazem parte da escória da humanidade, pois, ao invés de se separar do companheiro(a) e ir cada um pra um canto, preferem fazer merda.

Agora quando uma mulher pobre ou de classe média se apaixona por um homem rico (ou vice-versa), será que é amor mesmo? Hum, nós sabemos como as coisas são... Vamos pensar...

Já parou pra pensar como é fácil amar gente rica? Rapidinho já se apaixona e se busca um jeito de casar. O dinheiro sempre pesa na hora de escolher. Vou atrás de um pobretão com caráter ou de um rico sem vergonha? É impressionante o número de pessoas que escolhe a segunda opção. O que essas pessoas realmente gostariam é um rico com caráter, o problema é que esse tipo de pessoa nunca se envolveria com alguém que está com ele por causa de dinheiro, logo só sobra o rico sem vergonha. Oras, ninguém quer casar e ir morar num barraco. Mas casar com quem tem casa, carro e dinheiro é um pouquinho melhor, não é? Aí parece que o "amor funciona mais rápido", independente da índole da pessoa.

Tem pessoas que de fato admitem que querem se amarrar com uma pessoa rica para ter uma vida boa e pronto. Eu até tenho mais respeito por essas pessoas. Elas estão erradas, mas pelo menos o erro delas não é hipocrisia. Por outro lado existem aqueles que não admitem isso e de tal modo procuram desculpas (morais ou até mesmo religiosas) pra justificarem seu amor (lembrando que amor não é algo que se justifica, mas sim, algo que acontece), e enquanto não aparece uma desculpa que gostem, continuam procurando até encontrar uma que se enquadre na sua situação e que diminua a culpa na consciência por estarem casando por dinheiro e conveniência. Essa culpa pode até mesmo ser inconsciente, mas o processo (achar uma desculpa) e o resultado (casar) são os mesmos.

Bom, eu nunca vi uma mulher bonita (seja pobre ou classe média) se apaixonar por um limpador de fossa (por mais trabalhador que ele fosse). Mas uma mulher que se "apaixona" por um homem rico já vi muitas (por mais feio que ele fosse). Assim como nunca vi um rapaz bonito se apaixonar por uma mulher feia, banguela e pobre. Mas já vi um rapaz se apaixonar quando a mulher era feia, banguela e rica. Curioso, né?

Também existe a situação do homem rico divorciado (com filho, e até neto às vezes) que acha uma moça bonita e mais humilde pra casar. Nesse caso, ele terá uma mulher bonita com a metade da idade dele (no mínimo) pra lhe fazer companhia (só companhia mesmo, porque na idade dele quase nunca rola sexo), e ela, por sua vez, terá estabilidade financeira. Óbvio que no fundo eles sabem que tudo não passa de uma farsa, mas isso não os impede de falarem pro mundo que eles se amam (às vezes, de tanto contar essa mentira eles acabam acreditando). Ele vai exibir a esposa pros amigos e ela vai fazer a festa no cartão de crédito dele (e geralmente meter uns chifres nele pra compensar a falta de sexo. O pior é que talvez o homem saiba da traição e nem se importe com isso). É o que chamamos de "esposa troféu". Situação típica no mundo atual, certo? A situação inversa, uma mulher rica que procura um homem bonito mas humilde pra casar e ser seu "troféu", até acontece mas é bem mais raro. Aqui existe uma clara situação de dominação do rico sobre o pobre, e esses sujeitos são essenciais para que esse processo funcione, pois, um rico não se deixaria ser dominado financeiramente por outro rico. Meio óbvio, né? Mas isso não ocorre com o pobre que casa nessa farsa. Ele faz o possível para não descontentar o rico e arriscar perder essa vantajosa situação financeira. Então quando você ver aquela mulher que sofre na mão do marido ricão, mas não se separa, é bem possível que seja esse caso. Para ela viver e ser controlada por um marido troglodita, ainda é melhor do que voltar a ser pobre. Uma pessoa rica nunca aceitaria isso. Ricos descontentes num relacionamento se separam e vai cada um pro seu lado.

Ainda existe outra situação interessante: Quando o rico(a) se apaixona de verdade (ou pelo menos gosta bastante e acha que é amor) com o pobre. Convenhamos, aí é só alegria pro pobre, ainda mais se o rico(a) for uma pessoa relativamente bonita e apresentável. Nesse caso, se o rico quiser casar rápido, geralmente o pobre não vai nem pestanejar pra aceitar. É possível que o pobre de fato ame instantaneamente a pessoa rica, mas quem não amaria uma pessoa rica e bonita que por algum motivo se apaixonou por você, alguém que não tem nada na vida? Mesmo que o pobre não ame de verdade, vai aprender a amar com o tempo (e mesmo que não aprenda, não deve ser um sacrifício viver com alguém rico e bonito que te ama). O importante mesmo é o pobre não desperdiçar essa raríssima oportunidade, certo?

Vocês podem estar pensando que eu não levei em conta a personalidade das pessoas pra fazer essa última assertiva, mas saibam que eu parti do pressuposto que todos os envolvidos tem caráter e bom senso (o que é obrigação de todo ser humano, aliás). Então se você está pensando: "Talvez o homem rico se interessou pela mulher pobre porque ela é trabalhadora", ou ainda: "Talvez a mulher milionário gostou do rapaz pobre porque ele é bem humorado". Não estou negando que isso possa acontecer. O que estou dizendo é que o interesse da parte pobre dificilmente vai se restringir a personalidade da pessoa rica, sem nunca pensar nos outros benefícios materiais que ela vai trazer. Não obstante, já que todos possuem as mesmas qualidades de personalidade (tanto uma pessoa rica como pobre), qual é o motivo de um rico em escolher um pobre sem perspectiva clara de futuro sobre uma pessoa com uma estrutura social e financeira mais bem assentada para ser seu companheiro? Talvez inexperiência no amor? Frustração? Comodidade? Necessidade? Acredito que em muitos dos casos, a resposta é uma dessas mencionadas, mas não é a que realmente deveria ser: apenas amor. Nesse caso pode parecer amor por parte do rico, isso ocorre porque talvez a percepção dele esteja ofuscada pela sua própria riqueza. Entenda o seguinte: financeiramente falando não faz diferença quem uma pessoa rica escolhe para casar. Se ela escolher um rico, ela continuará rica. Se ela escolher um classe média, ela continuará rica. Se ela escolher um pobre, ela continuará rica. Portanto é possível, mas não exclusivo, que haja um déficit na percepção dessa escolha, por sua vez, obscurecida pela própria abastança financeira do rico. Ele escolhe qualquer um porque no fundo não faz diferença, e não porque o amor é o motivo sumo da escolha. Poderia ter mais alguma coisa envolvida nessa escolha supostamente errada? Não dá pra saber, mas se tiver, é bem plausível que seja uma das hipóteses já citadas nessa dissertação. Pressão da família? Incentivo da igreja? Tesão? Necessidade emocional? Tudo isso junto? 

É a triste realidade, apesar dos envolvidos não perceberem ou não desejarem perceber isso. Mas o ser humano é assim mesmo... Melhor viver numa ilusão feliz do que numa realidade triste, né? Dói demais admitir certas coisas, em especial quanto você próprio é o problema ou faz parte dele.

Então qual seria o motivo genuíno desses relacionamentos psicologicamente distorcidos? Desespero? Tesão? Sorte? Deus? Conveniência? Dinheiro? Eu sinceramente não sei. Talvez todos esses citados e mais uns tantos. O que eu sei é que aquilo que deveria ser a única razão para se casar com alguém, não ocorre ultimamente. Se unir em matrimônio à uma pessoa por um motivo que não seja exclusivamente AMOR, é simplesmente um nojo de caráter. Esses hipócritas podem inventar o que eles quiserem na cabecinha tapada deles pra justificar esse "amor" pela pessoa rica ou pela pobre, mas sabemos que na esmagadora maioria das vezes, ou são um bando de pobres desesperados tentando subir fácil na vida se apoiando em uma pessoa rica, esta, por sua vez, consciente ou não dá situação, ou ainda, são um bando de ricos frustrados, imaturos e anencéfalos que se aproximam amorosamente de pobres pelos motivos errados. Como eu disse: Nojo!

Tem como duas pessoas pobres se amarem de verdade? Sim, com certeza. Tem como duas pessoas ricas se amarem de verdade? Sim, é possível. E tem como uma pessoa pobre e uma rica se amarem de verdade? Sim, também. Mas sempre que tem grande diferença financeira na história, eu desconfio que pode ter algo a mais por trás ou apenas algo errado.

É claro que estou falando da maioria dos casos que ocorrem na sociedade quando há grande diferença financeira entre os sujeitos. Deve haver por aí uma milionária bonita de uns 25 anos que se apaixonou por um pobretão viciado em crack, e ele corresponde esse amor sem pensar no dinheiro dela. Assim como deve haver um personal trainer de 20 anos, forte e bonito que se apaixonou loucamente por uma coroa milionária sem ligar pro dinheiro dela, e ela corresponde esse amor sem se importar com a beleza dele. Apenas o amor recíproco pela personalidade e caráter das pessoas nesses casos. Eu nunca vi esses casos, mas devem existir, né? 

Muitas pessoas vão ler essas palavras e mesmo sabendo que no fundo fazem parte desses grupos de hipócritas, nojentos e sem caráter, vão fazer de tudo pra continuar se convencendo do contrário. Pra continuar achando que tomaram a decisão certa e verdadeira. Pra continuar achando que não fizeram ou continuam a fazer coisas erradas. Típico do ser humano. Ninguém quer se sentir culpado. Ninguém quer ser o vilão da história. Bem, sabem o que dizem: O Inferno tá cheio de inocentes!
Haha!

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